De um lado do continente há um calor insuportável e jamais visto de cerca de 50 graus em muitas cidades. Do outro lado do continente (mas nem tão distante assim) há um frio terrível que chega aos mesmos 50 graus, só que abaixo de zero. Mesmo com tais número ainda há (pasmem!) seres que não acreditam em aquecimento global ou pensam que este deva ser mera propaganda publicitária de cunho religioso-esquerdista-financiado-pelo-greenpeace (atentem para o teor crítico racional de tais cabeças).
Meus amigos, não durmam no ponto! Vou estocar alimentos e me sentenciar a viver perpetuamente em um cofre e esquecer de voltar!!!
O fim do mundo não é 2012. O fim do mundo não será 2112. O fim do mundo não será um meteoro que o Bruce Willis não consiguirá destruir e cairá por cima de cada cabeça anencéfala deste mundo. O fim do mundo é o presente (em sentido temporal, não como graça divina). O fim do mundo é a própria humanidade. A ciência nos nomeou como homo sapiens, a grande raça humana, que tem o poder de raciocinar, no entanto, vivemos cada dia nos degladiando como porcos a fim de ver quem consegue comer mais lavagem. O ser humano é tão ruim que faltam palavras para descrevê-lo. Quem me explica o que se passa na cabeça do rapaz que colocou fogo em um ônibus no Maranhão e assistiu a uma menina de 6 anos ter 98% do seu corpo queimado? Quem me explica o que se passa na cabeça da mulher que brigou com o marido (e por ficar bravinha) jogou seu cachorro (o animal, não o marido) do 12º andar do seu prédio? Quem me explica o que será de nosso futuro? Quem me explica o que será do futuro de nossos descendentes?
Entrementes, não temo o fim do mundo, como diria o velho Fernado Pessoa "Vivo sempre no presente. O futuro não conheço. O passado, já não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada." Também não temo a mudança climática (pois a minha parte eu faço e luto com a poucas armas que tenho e apoio fielmente que ainda tem um pingo de consciência e faz o mesmo). Não temo o fracasso da Copa (aqui peço licença aos ilustres leitores para parafrasear um grande-pensador- brasileiro-contemporâneo e dizer que a "Copa para mim é como vodka ou água de coco, tanto faz!"), apenas temo quem dá mais importância coisas tão desnecessárias em um país onde milhares de pessoas padecem em escolas, hospitais e todo um Estado-ademocrático-de-direito-falido. Também temo quem fecha os olhos para a realidade e ao mesmo tempo admira e idolatra o paine et cirque. Não temo o fim do mundo e nem as surpresas que ele proporcionará. Apenas temo a humanidade e aonde a maldade (malandragem, babaquice, mediocridade, e aí por diante) desse ser pode chegar!